sexta-feira, 23 de novembro de 2007

A minha filha não !!!

Já na década de 80 um amigo, o Noronha,vangloriava-se de seu filho levar garotas para casa, e “crau” *, abater mais uma lebre! Batia no peito que o dele era mais macho.
Ouvíamos atentamente e para sacaneá-lo, como também tinha 2 filhas, perguntava-mos se as deixava levar garotões em casa. Noronha ficava puto e queria encarar todos.
Era a tal história: - o meu touro tá solto, então cuidem das suas vacas, agora se algum touro invadir o meu pasto, boto pra quebrar.
Hoje é corriqueiro jovens dormirem na casa dos pais com seus namorados. É certo ou errado ? Fica a critério de cada familia aderir à modernidade, que diga-se é mais saudável e seguro.
*crau=faturar, conquistar

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Posições sexuais

Três amigos estavam reunidos tomando uma cervejinha, entre outras coisas falavam sobre as melhores posições durante o ato sexual:

Um deles disse: Para mim a numero um e a 69!!!!

Outro disse: Para mim e o frango assado!!!

E o ultimo disse: Não há nada melhor do que a do RODEIO!!!!

Os outros dois amigos o olharam assombrados e perguntaram do que se tratava???

O homem explicou:

Bem, Fale para sua mulher que se coloque de quatro... e comeces por detrás ao
estilo cachorrinho... Uma vez que as coisas estejam bem quentes... apóie seu
peito sobre as costas dela, abrace-a fortemente... e diga com delicadeza bem
baixinho ao seu ouvido:

"ESTA POSIÇÃO FASCINA MINHA SECRETÁRIA"

E depois tente manter-se em cima dela por mais de 8 segundos!

!!

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Você sabe a origem do nome MIAMI ?

O nome “MIAMI” foi atribuído à cidade pelos primeiros moradores e na linguagem indígena, significa “Água Doce”.

Miami tem o menor rio navegável dos Estados Unidos, o Miami River que corta a cidade.

Miami é uma cidade que cresceu de um pântano, sobrevivendo a incêndios, furacões e nunca perdeu o espírito de perseverança.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Ser pai

Como faço diariamente, tomei o ônibus na Praça da Republica, centro de São Paulo, com destino ao meu trabalho. Dentro, rolava um papo sobre o noticiário do dia anterior, que novamente, denunciava o consumo de drogas, no chamado “quadrilátero” da boca do lixo, mais conhecido por crackdromo.

As opiniões eram as mais variadas, e vez ou outra, de tão acaloradas, chegavam à beira da discussão. Uma delas, dizia, que o problema era antigo, pois há mais de 30 anos isso acontecia naquela região! –Nada se fazendo para sana-lo.

Outra dizia que já estava na segunda ou terceira geração de meninos de rua, ou seja, o menino de rua virou pai, e seu filho também já consumia drogas.
E ainda, que tudo, não passava de interesses comerciais do PCC*, e traficantes! -afinal, por trás, rolava muita grana!


E assim por diante, ouvia a todos , tirando minhas conclusões. Continuava quieto no meu canto, ouvindo calado e refletindo.
Com algumas opiniões concordava, noutras, achava um pouco de exagero. Fiquei triste, porque também tenho filhos, e, como todo pai, rezo para que não se envolvam com drogas, livrando-os da viagem maldita, cujas paradas são: hospício, prisão ou cemitério.

Na esquinas, da Avenida São João com Av. Duque de Caxias, subiu um senhor, sentou-se a meu lado, e assustado, ouvia tudo. Temeroso em dar uma opinião, fazia como eu, limitando-se a ouvir, e balançar a cabeça, ora concordando ou não.

Mais à vontade, começamos a conversar, dizendo, que um daqueles viciados do vídeo, era seu filho, um jovem de 20 anos! -Não sabendo mais o que fazer para tirá-lo daquela vida degradante e miserável! -Já fizera de tudo! -Procurando clinicas especializadas, assistentes sociais, autoridades ligadas ao assunto, mas sentia-se impotente, pois nada conseguira.

Confortando-o, disse-lhe que era assim mesmo. Como pais, nossa vida era essa, levantar cedo, marmita sob o braço, atravessar a cidade em ônibus lotados, com destino ao trabalho! -Enfim, sacrificar-se e fazer tudo pelos filhos. Por sorte, alguns pais não tinham esse gravíssimo problema, e outros, ao contrário, conviviam com ele, tornando suas vidas, um inferno.

Disse-lhe chavões surrados: - a esperança é a última que morre, e; -o tempo é o melhor remédio para tudo, enfim, que devíamos aguardar e continuar na luta! – E que ao contrário dele, após sacrifícios, privando-me das boas coisas da vida, tinha realizado meu sonho, e dado um canudo*de professor de educação física ao meu, da mesma idade do seu.
Aquilo soou como um duro golpe, pois seu olhar brilhou, não sei se de alegria, ou de ódio! - Por lembrá-lo novamente da sua impotência com o seu.

Continuei dizendo, que meu filho também andava desiludido, pois, apesar do canudo*, procurava trabalho e nada conseguia na área, tendo de sujeitar-se a outra atividade.
Éramos, então, 2 pais, com problemas, cada um na sua proporção de gravidade.


De repente, aquele senhor, numa tirada de mestre, disse: -Poxa, meu irmão! -Tá aí, a solução!! -Por que o prefeito, governador ou seja lá quem comanda tudo, não junta nossos filhos, unindo o útil ao agradável.

De cara, não entendi ? -Mas aos poucos foi se soltando e explicando: -É fácil meu! -dizia ele: - Basta o prefeito pegar teu filho professor, arranjar um espaço na cidade, montar uma quadra esportiva, e então ele passa a orientar meu filho e outros em atividades esportivas! -Assim, à noite, não sobra tempo para usarem drogas, assaltar, e etc.

Disse-lhe: -Você tem razão meu irmão, mas não é tão simples assim; -afinal, tudo gira em torno de grana, licitações, concorrências, enfim uma burocracia danada! -que a gente não “saca”* nada: - No que respondeu : - Mas os caras da economia dizem que só de imposto a gente deixa quase 40% de grana em tudo que compramos! -Ficando para o governo gerenciar! –É : - Aí reside o problema! -Pois todo esse dinheiro já está comprometido com outros “programas”, supostamente mais importantes! -Noutras “mutretas”! -Nada sobrando para a educação, esportes, e outras necessidades sociais, disse eu.

Nisto, tendo que descer no próximo ponto, num desabafo geral, gritou; -OLHA MEU! - A MELHOR POLITICA PARA O POBRE CONTINUA SENDO A DE SEMPRE! -A DO SEJA O QUE DEUS QUISER!!! -E eu brincando, retruquei: -É, pode ser, mas, o chefe lá em cima já está com o saco cheio.!!!!!
Desci no meu ponto, duplamente chateado: por meu filho frustrado e sem rumo profissional e pelo dele, que dias desses, fatalmente, iria virar manchete policial.


O que fazer ? -A luta é essa,! -Desigual! -É lôbo comendo lôbo! -e, como dizia aquele malandro da Praça Julio Mesquita:--Se jacaré marcar* bobeira vira bolsa de madame. Então, seja o que Deus quiser !!!!!!!!!!!!

*canudo=diploma universitário
*PCC-Primeiro Comando da Capital-Grupo de marginais que dentro das cadeias comanda o crime.
*saca, giria= entender, perceber
*marcar, gíria=perder tempo

Brownsugar

Quero ser criança

Meu filho na ocasião com cinco anos perguntou-me: - Pai por que a gente cresce? – Eu queria ficar sempre criança. –Não queria crescer nunca! -Desconcertado dei-lhe uma explicação e aparentemente o convenci.

Hoje, num retrospecto, vivencio todo tempo destinado a ele, nas varias etapas de sua vida, a começar quando tinha meses.

Era uma época de noites mal dormidas. Ao primeiro choro ou balançar do berço, corria e dava-lhe toda atenção necessária. –Era a dor de ouvido, de dentes ou de levá-lo a dar uma volta de carro no quarteirão, para que pegasse no sono novamente. -Gastava tempo com idas ao Pediatra, Pronto Socorro, Postos de Vacina e tudo o mais.

E, nos fins de semana, que gostoso! – Os passeios ao Parque do Ibirapuera, ao Play Center, a praia etc.

Enfim gastava todo tempo necessário para o seu bem estar.

Cresceu e os gastos, nem lembrar! –Dobraram! - Antes, a escolinha maternal, as roupas, - tudo mais barato. Hoje, faculdades caras, - já que as públicas são para alguns-, e nas particulares, o custo - beneficio duvidoso, - formam jovens a torno e direito, sem realmente saber o que o mercado de trabalho precisa. -Então, formados, vão ganhar uma merreca*, e penso comigo: - antes tivesse aplicado o dinheiro da mensalidade num imóvel, pois hoje ao sair da faculdade com o que ganham não conseguirão paga-lo.

Antes, era a bicicleta, o pião, uma pipa, e hoje, o carro, a gasolina o seguro, além das roupas de grife! E o celular! - que nunca atende quando ligo!

-E a tranqüilidade? - Nos fins de semana, enquanto não ouvir o barulho do carro, retornando da balada, como dormir sossegado?

Quanto tempo e dinheiro gasto e sinto-me feliz com isto.

Mas dia destes, precisando de um pouco do seu tempo, pedi que explicasse algo sobre o computador! Mas, qual o que! Disse-me: - entra numa escola de informática, pois estou com pressa: - insisti, e na verdade precisava conversar com alguém só um pouquinho: - de pronto respondeu: - O coroa, ta ligado? –preciso encontrar a minha garota: - Estou com pouco tempo. -Baixei a cabeça, e sorrindo comigo mesmo, lembrei do ditado de que: “filho criado, trabalho dobrado”.

Conformado, num misto de alegria e tristeza deu vontade de perguntar a ele? –Filho por que você cresceu? –Por que não continuou criança?

Brownsugar

*merreca, giria=pouco dinheiro

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Ausência

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz perenizada.
Vinicius de Moraes

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Chora, coração

O erro dos McCann é não terem sido um bocadinho mais portugueses ou brasileiros: fatalistas, lacrimejantes e dramáticos

UM AMIGO paulistano contava-me em tempos que o grande problema do Brasil era a "inveja espiritual". Parei, afinei o ouvido e perguntei de volta: "Inveja espiritual?". Ele explicou: nós podemos ter inveja da casa do vizinho. Do carro. Da carreira. Da mulher.

Mas "inveja espiritual" é coisa mais sofisticada: é ter inveja do próprio vizinho. Da capacidade dele para suportar o infortúnio com a dignidade intocada.
Onde estão as lágrimas? O choro? As ameaças de suicídio e de homicídio (não necessariamente nessa ordem)? Não estão. Como diria Hemingway, ele tem graciosidade sob pressão.

A "inveja espiritual" é a inveja que sentimos quando vemos um adulto comportar-se como adulto.

Fiquei a pensar na história e a história, como a inveja, atacou-me quando regressei a Portugal depois de uma longa vadiagem pelo Brasil. E tudo por causa do caso McCann. Caso tenham estado em Marte nos últimos seis meses, uma criança inglesa de 4 anos, Madeleine McCann, desapareceu de um complexo turístico no Algarve no dia 3 de maio. Foi seqüestro? Homicídio?Isso não é importante. Importante é a reação da imprensa tablóide portuguesa, que rapidamente começou a amplificar o sentimento dos populares. Desde a primeira hora, os pais são suspeitos. Suspeitos, vírgula, culpados. Não necessariamente pelas provas que a polícia judiciária recolheu e que até podem apontar para uma suspeita legítima (eu, honestamente, não faço a mínima idéia). Falo do povo. Falo da voz do povo. Os pais são culpados porque parecem culpados.

E parecem culpados porque não choram como deveriam. Não gritam como deveriam. Não se comportam histericamente como deveriam. Pelo contrário: com a fleuma britânica que é típica da espécie, dão entrevistas aos jornais. Fazem campanhas na internet. Procuram a filha pelos quatro cantos do mundo. Agem racionalmente, mantendo a graciosidade possível. A pergunta é inevitável: que pais são esses que, perante o desaparecimento da filha, não afundam na depressão e na miséria?

O povo gosta de ver sangue. Mas, melhor que sangue, o povo gosta de ver lágrimas. O principal erro dos pais não foi ter deixado os filhos sozinhos no apartamento -Madeleine e dois gêmeos, ambos com 2 anos -enquanto jantavam com amigos a poucos metros. O erro principal dos McCann é não terem sido um bocadinho mais brasileiros. Ou, então, um bocadinho mais portugueses: fatalistas, lacrimejantes e dramáticos.O caso é sobretudo válido para a mãe. Em declarações aos jornais britânicos, Kate McCann confessou que lamentava não ser gorda e feia para que os portugueses gostassem mais dela. Um erro, minha senhora. O problema não é ser magra e bonita. O problema é não ter umas lágrimas para oferecer a platéias esfomeadas. Se lágrimas houvesse, até as maiores barbaridades seriam perdoadas. Ela matou a filha/vendeu a filha/fez da filha um sanduíche? Ah, mas chora, coitadinha.
A inveja espiritual não começou no Brasil. Como a língua e a Carmem Miranda, ela é herança de um pai só.
J.P.Coutinho